Tintas Offset II

Por Marcos Anghinoni - Diretor de Vendas

Tinta Gráfica – Breve Histórico A tinta é uma substância química que pode ter várias formas: líquida, pastosa ou sólida (quando sólida, para ser usada, será dissolvida). Ela é usada para escrever, desenhar, pintar ou, no nosso caso, para imprimir. A palavra latina, por sua vez, é derivada da palavra grega ENKAUNTON, que era o nome da preparação utilizada para a pintura encáustica. Em grego o acento caiu sobre a vogal inicial da palavra, explicando o surgimento da palavra “tinta” em Inglês – INK -, bem como ENCRE, que é tinta em francês. Vamos abrir um pequeno link aqui para a definição da pintura encáustica. Pintura Encáustica Encáustica (deriva do grego enkausticos, gravar a fogo) é uma técnica de pintura que se caracteriza pelo uso da cera como aglutinante dos pigmentos e pela mistura densa e cremosa. A pintura era aplicada com pincel ou com uma espátula quente. É uma técnica muito resistente, bastando ver a quantidade de pinturas que resistiram ao tempo e chegaram até nós. Breve História da Pintura Encáustica A encáustica é uma técnica conhecida e utilizada desde a Antigüidade. Os romanos e os gregos usavam-na muito. Plínio o Velho, descreve o uso da encáustica sobre o marfim, técnica que já então era considerada antiga. Ele também descreve como é uma boa técnica para arrematar a fabricação de um barco por ser muito dura e resistente ao sal e às intempéries. Na região de Fayum, norte do Egito, descobriram-se retratos de grande força expressiva, em sarcófagos de madeira, realizados em encáustica, com datação dos séculos I e II. Também alguns murais descobertos em Pompéia foram feitos com essa técnica. No começo da Idade Média também era usada, e, mais tarde, no Oriente e no âmbito cristão, era o procedimento mais utilizado para elaborar as imagens religiosas. Um bom exemplo de imagem religiosa em encáustica é o da Virgem entronizada com o Menino Jesus do Mosteiro Ortodoxo de Santa Catarina do Monte Sinai, no Egito. Durante os séculos seguintes e a partir do VIII e do IX esta técnica cai em desuso até que reaparece nos séculos XVIII e XIX, especialmente na Inglaterra e França. O pintor francês Eugène Delacroix utiliza em muitas de suas obras algumas cores previamente misturadas com cera. A encáustica também foi usada por artistas do século XX, como Jasper Johns, Mauricio Toussaint e João Queiroz. Preparação A preparação era feita misturando-se cera com pigmentos coloridos a uma solução que se obtinha com as cinzas de madeira e água (solução alcalina de carbonato e bicarbonato de potássio ou de sódio). A esta combinação misturava-se cola ou resina. Esquentava-se a superfície a pintar e também as espátulas. Às vezes fazia-se primeiro a base gravando-a com a espátula quente e depois enchia-se a incisões com o preparado de pintura. Voltando a origem das tintas... No começo as tintas eram feitas com uma espécie de cinza negra, derivada de combustão, assim como vegetais e alguns minerais. Uma das tintas mais antigas é a chamada tinta nanquim (também conhecida como tinta da India), que vieram daquele país e provavelmente já era conhecida antes do nascimento de Cristo. Esta tinta era feita (e ainda é) com a mistura das cinzas do pinheiro negro com cola ou gelatina e cânfora. As primeiras tintas usadas para a impressão eram muito parecidas com as tintas usadas para escrever e desenhar, uma vez que foram as tintas à base de água a que se acrescentou um espessante e coagulantes, tais como o amido cozido. A introdução de substâncias oleosas, como a manteiga, começou em meados do século 15, praticamente ao mesmo tempo em que começaram a surgir as primeiras prensas de impressão. Nesta época os impressores já tinham começado a usar óleo a base de resinas e ovos para dar outras cores às tintas, além do preto. Esse trabalho teve origem graças ao trabalho dos irmãos Van Eyck. Os primeiros óleos usados foram de linhaça e óleo de amêndoas, que conferiam um novo brilho às cores. No entanto, a transição para as tintas base óleo não aconteceu de uma só vez, especialmente porque ainda havia o problema não resolvido de secantes (na verdade algumas das pinturas a óleo deste período inicial ainda não estão completamente secas!). Nesta época, os grandes "fabricantes de tinta" guardavam com todo cuidado os seus segredos e, por conta disso, muitas receitas foram perdidos para sempre, especialmente porque estas receitas não eram impressas ou escritas e sim transmitidas oralmente aos aprendizes. No entanto, todas as receitas tinham certas coisas em comum. Os negros foram feitos com sobras de uma combustão incompleta de madeira e osso, que foi adicionada de óleo ou graxa. A fuligem usada na fabricação dessas tintas era coletada raspando as chaminés com uma “ferramenta” feita de peles de cordeiro, depois de queimar o material adequado. O melhor preto da época, usado para imprimir as placas intaglio, era o German Black (Preto Alemão), fabricado em Frankfurt. Tinha uma beleza e qualidade, devido à textura de sua cor preta aveludada. Dizia-se na época que se alguém esfregasse essa tinta preta entre os dedos acharia que ela se romperia como giz ou amido cru, o que não acontecei. Imitações não conseguiram reproduzir negros com a qualidade dos alemães, e em vez de ser macio quando friccionado, eram ásperos e granulados. A única imitação boa do preto alemão era uma tinta feita em Paris. No entanto, o preto não era a única cor usada. Diversas tintas coloridas estavam disponíveis, especialmente vermelhos, que eram feitos com cinábrio (sulfeto de mercúrio). Por fim, os pigmentos eram misturados ao óleo de linhaça ou óleo de amêndoas, mas estes óleos tinham que ser engrossada por cozimento em alta temperatura e por tempo determinado. O óleo resultante era queimado para purificá-lo das partículas gordurosas. Um óleo cozido adequadamente, após o resfriamento, tornava-se extremamente pegajoso e viscoso, como um xarope muito concentrado. Alguns especialistas indicavam colocar cebola ou algumas crostas de pão no óleo, quando em cozimento, para desengordura-lo. O óleo cozido tornava-se um verniz. Nas fábricas maiores o cozimento do verniz passou a ser feita por trabalhadores especializados, que ficaram conhecidos na França como "cuiseurs" (algo como cozedores). O verniz, então, era deixado em repouso por várias semanas e depois elementos suspensos eram removidos. Neste ponto, tudo o que precisava ser feito era adicionar o pigmentos para se chegar as cores. No início, o pigmento era misturado com muito pouco óleo, de modo a se ter uma mistura (tinta concentrada) o mais seca possível. A pasta resultante poderia, assim, ser adaptada para várias utilizações. A tinta era trabalhada (em pequenas quantidades de cada vez) muito cuidadosamente e colocada em um recipiente de cerâmica vidrada, que era selado. Até 1818 assim era feita a tinta de impressão. Neste ano, Pierre Lorilleux, começou a industrializar a fabricação de tinta. A primeira planta industrial para fazer a tinta se encontrava em Paris. Foi a invenção da litografia de Senefelder que provocou a diversificação das tintas. Na verdade, o inventor da litografia introduziu novos ingredientes, tais como sabão, sebo, cera, e goma, utilizados por razões técnicas. Além de ser a responsável pela visualização da impressão propriamente dita, a tinta começou a desempenhar um papel químico. A tinta para impressão litográfica tinha de ser particularmente densa, para repelir a água na impressão. Com o início da impressão mecânica a tinta teve que ser adaptada a uma variedade de novas necessidades: jornais, impressão em papel de embrulho, impressão em uma variedade de materiais utilizados para embalagem dos gêneros alimentícios, etc. No início do século 20 novas técnicas de impressão foram inventadas, tais como offset , fototipo ,rotogravura , e, a partir da década de 1950, serigrafia . Esta mudança tecnológica maciça em técnicas de impressão também trouxe o desenvolvimento de tintas cada vez mais diversificadas. Estas tintas foram criadas em resposta as novas técnicas, como aumento da velocidade de secagem, equipamentos cada vez mais rápidos, necessidade de tintas não-tóxicas, tintas com resistências, cores especiais, diversos tipos de suportes e assim por diante. E assim chegamos aos dias atuais. E desde 1995 a Sellerink faz parte desta história, se bem que, pelo menos 30 anos antes de 1995, os fundadores da Sellerink já estavam no mercado de tintas gráficas offset.
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