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5abr/11

SOLUÇÃO DE FONTE (POST 3)

Fonte: Portal das Artes Gráficas - PAG (Portugal)

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Continuando com a nossa série SOLUÇÃO DE FONTE - que tem excelente repercussão entre os técnicos - hoje vamos falar um pouco mais sobre a água como composto da solução de molhagem. Então vejam:

TENSÃO SUPERFICIAL DA ÁGUA

O processo offset depende do modo como os líquidos e semilíquidos (água e tinta) e as superfícies sólidas (rolos, chapas, blanquetas e papel) interagem entre si. Estes materiais apresentam diferentes habilidades de molhar ou se deixar molhar.

A água é uma substância polar, isto é, suas moléculas comportam-se como pequenos ímãs, visto apresentarem polos elétricos positivo e negativo. No interior do líquido, as moléculas interagem resultando num equilíbrio estável de uma molécula com as moléculas vizinhas, ou seja, as forças coesivas neutralizam-se. Entretanto, na superfície do líquido não acontece o mesmo; as moléculas da superfície estão na interface água–atmosfera externa. Estas apresentam um diferencial de energia em comparação com as moléculas do corpo do líquido, cuja conseqüência é a formação de um perfil convexo chamado menisco. Esta energia superficial é chamada de tensão superficial. Quanto maior a tensão superficial da água, maior a tendência da sua superfície acomodar-se na forma esférica e menor será a sua capacidade de umectação (menor a área coberta por uma gota isolada).

Tensão Superficial da Água

Tensão Superficial da Água

A tensão superficial da água pura é cerca de 72 mN/m (miliNewton por metro). Com esse valor de tensão superficial, o ângulo de contato entre a água e o alumínio da chapa ofsete é muito grande e, portanto, a quantidade de água necessária para umedecer a superfície da chapa é excessiva, comprometendo a estabilidade dimensional do papel, a estabilidade das tintas, e causando diversos outros problemas relacionados.

A tensão superficial da água pode ser reduzida misturando-a com outra substância de menor tensão superficial, como o álcool isopropílico ou outro produto tensioativo. Embora o álcool e a água tenham a mesma característica (ambos são polares) e formem uma mistura azeotrópica, o álcool é mais volátil do que a água, além de ser inflamável e tóxico. Por isso, vem sendo gradualmente substituído por outros agentes umectantes que não evaporam nem interferem na viscosidade da solução.

A tensão superficial dos líquidos pode ser avaliada com instrumentos chamados tensiômetros, que expressam os resultados em dinas; a tensão superficial dos sólidos pode ser avaliada indiretamente aplicando-se gotas de diferentes líquidos de tensão superficial conhecida sobre a superfície do metal e observando-se a tensão superficial crítica; o líquido é atraído pelo sólido que apresentar maior tensão superficial do que o líquido, e repelido pelo sólido que apresentar menor tensão superficial.

Os componentes da solução de molhagem (água, concentrado de solução, goma-arábica, álcool isopropílico etc.) apresentam tensão superficial característica: a água, dependendo do conteúdo de minerais ou impurezas presentes, pode apresentar tensão superficial variando entre 60 e 72 dinas; o álcool isopropílico e outros aditivos agem como umectantes para reduzir a tensão superficial da água; a goma-arábica tem a habilidade de fixar-se às áreas de contragrafismo da chapa, aumentando a tensão superficial crítica do metal e atraindo a água; de modo similar, a goma aumenta a tensão superficial crítica dos rolos cromados do sistema de molhagem.

Quando os rolos cromados perdem tensão superficial devido ao engorduramento causado pela tinta ou outros contaminantes, estes tornam-se “sensibilizados” e perdem a habilidade de transportar um filme uniforme de solução para o sistema de molhagem. Muitos problemas atribuídos às tintas são causados por problemas de tensão superficial do sistema de molhagem. O fluxo desuniforme de solução de molhagem pode causar velatura (entonação) em algumas áreas da chapa; o aumento da alimentação de solução para eliminar a velatura pode causar emulsão da tinta e impressão lavada.

Excesso de goma-arábica causa a alteração da tensão superficial dos rolos metálicos do sistema de tintagem, tornando-os mais receptivos à água do que à tinta. O vidrado dos rolos emborrachados causado pela goma, tinta seca e pó do papel altera a tensão superficial crítica dos rolos e causa estrias. Os produtos removedores de vidrado revertem essa situação.

Os materiais sólidos que participam do processo de impressão (papel, rolos cromados, rolos emborrachados, chapas, blanquetas) também apresentam sua própria tensão superficial crítica. Todo o processo offset é baseado na atração relativa da tinta e da solução de molhagem entre si e entre estas superfícies sólidas.

A tensão superficial do suporte é particularmente importante no caso de superfícies não-absorventes, tais como plásticos e folhas metálicas; tensão superficial inferior a 40 dinas pode causar problemas de adesão das tintas. Em condições estáticas, uma tinta offset típica apresenta uma tensão superficial de cerca de 30 dinas; entretanto, durante a impressão, a tinta aumenta de corpo devido à emulsão com a solução de molhagem sob o efeito da pressão e das altas velocidades; sob condições desfavoráveis (excesso de água, pressão excessiva dos rolos, acidez etc.), a tensão superficial da tinta pode dobrar de valor, causando acúmulo nos rolos; na tentativa de solucionar o problema o impressor aumenta a alimentação de tinta, o que exige mais água, agravando ainda mais a situação.

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Nossos agradecimentos ao parceiro PORTAL DAS ARTES GRÁFICAS (PORTUGAL). Continuem acompanhando a série SOLUÇÃO DE FONTE. Não esqueçam também que esta matéria estará presente na primeira palestra do CICLO 2011 da Sellerink, no dia 13 de Abril próximo. Se você ainda não fez sua inscrição, corra, restam poucas vagas.

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10fev/11

SOLUÇÃO DE FONTE (POST 1)

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Fonte de Pesquisa: PAG - PORTAL DAS ARTES GRÁFICAS (PORTUGAL)

Hoje começaremos uma nova série no nosso Blog. Trata-se, como o próprio título traz, SOLUÇÃO DE FONTE. Como todo gráfico sabe, a Solução de Fonte é insumo essencial para uma boa impressão. O controle da solução e a correta adequação e equilíbrio com a tinta garantem uma excelente impressão no sistema offset. Caso contrário, as dificuldades para o perfeito andamento do trabalho serão muitas, além do comprometimento do trabalho final e do rendimento da impressão.

Então, vamos começar...


INTRODUÇÃO

off-setO processo de impressão offset caracteriza-se e distingue-se dos demais processos de impressão devido a três particularidades: é um processo indireto (a imagem entintada da chapa é transferida primeiro para uma superfície emborrachada chamada blanqueta, e depois para o suporte); a matriz de impressão é planográfica (as áreas de grafismo e de contragrafismo da chapa encontram-se no mesmo plano, ou seja, não existem diferenças de relevo); além da tinta, o processo envolve água (necessária para evitar que a tinta se deposite nas áreas de contragrafismo da chapa).

Baseado no princípio físico-químico de que tinta (gordura) e água não se misturam, o recurso para manter as áreas de contragrafismo da chapa livres de tinta é umedecê-las com uma solução aquosa acidificada de goma-arábica.

De todas as variáveis do processo de impressão offset, as mais complexas são aquelas associadas à solução de fonte. Existe uma estreita tolerância entre o excesso e a insuficiência no controle da alimentação da solução de fonte, implicando em problemas complexos que resultam em baixa qualidade e desperdício elevado. O mesmo se pode afirmar a respeito da química da solução de fonte, vejamos:

Quando o pH é baixo pode ocorrer:

. tingimento

. emulsionamento

. escumação

. flocos de neve

. desgaste da chapa

. secagem lenta da tinta

Quando o pH é elevado pode ocorrer:

. sensibilização dos rolos metálicos

. entupimento de pontos

. engorduramento dos rolos molhadores.

Além de participar do fenômeno físico-químico de separação das áreas de grafismo e de contragrafismo na superfície plana da chapa offset, a solução de fonte ajuda a remover calor das tintas por evaporação, além de promover o arrefecimento de todo o sistema de entintamento, e promove um emulsionamento controlado, ajudando a manter estável a viscosidade das tintas. Entretanto, os pontos negativos da influência da solução de molhagem no processo de impressão são muito mais numerosos e incômodos: o tack das tintas é reduzido, a secagem das tintas é retardada, o brilho do impresso é reduzido, o papel sofre encanoamento e variação dimensional, comprometendo o registro, a aceitação (trapping) das tintas é prejudicado etc., além de uma série de problemas (velaturas, acúmulo, estrias de rolos, desgaste da chapa, chapa cega, baixo contraste de impressão, impressão lavada) que podem se manifestar caso a alimentação da solução de fonte não seja mantida sob rigoroso controle.

Demonstrativo da tensão superficial da água ou solução de fonte

Demonstrativo da tensão superficial da água ou solução de fonte

A distinção entre as áreas de grafismo e as áreas de contragrafismo da chapa, e a eficiência da solução de fonte em garantir que a tinta fique confinada apenas nas áreas de grafismo, depende:

• da tensão superficial da solução de fonte

• da tensão superficial da tinta

• da tensão interfacial solução de fonte–tinta

• da tensão interfacial tinta–chapa (grafismo)

• da tensão interfacial solução de fonte–tinta (contragrafismo)

• da tensão interfacial tinta–chapa (contragrafismo)

• da tensão interfacial solução de fonte–chapa (grafismo)

Quanto menor for a tensão interfacial solução de fonte–chapa, melhor a umectação; quanto menor for a tensão superficial da solução de molhagem, maior o seu espalhamento sobre a superfície da chapa e menor será a quantidade de solução necessária para cobrir toda a superfície da chapa.

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Acompanhem a continuação de SOLUÇÃO DE FONTE. No próximo post vamos falar sobre a COMPOSIÇÃO DA SOLUÇÃO DE FONTE.

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