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29mar/11

A IMPRESSÃO OFFSET NO BRASIL (Post Especial)

Dentro da nossa História da Indústria Gráfica, vamos publicar mais um post especial, a parte da cronologia. Trata-se de mais um capítulo interessante, agora, de uma pequena parte da História da impressão offset no Brasil.

A tecnologia de impressão offset foi inventada em 1904, como já vimos aqui no Blog, pelo americano Ira Washington Rubel, litógrafo de Nova Jersey, Estados Unidos, e também patenteada pelo alemão Caspar Hermann, de Baltimore, Maryland, Estados Unidos.

Apesar do surgimento no início do século passado, o sistema só chegou ao Brasil na década de 1920, mesmo assim de forma lenta e pouco difundida. Mesmo com o lento desenvolvimento do setor, em 1922 a Companhia Lithographica Ferreira Pinto, do Rio de Janeiro, importou a primeira impressora offset no Brasil. A Ferreira Pinto, na época, atendia quase que exclusivamente a fábrica de cigarros Souza Cruz.

grafica-antigaEm 1924, foi a vez da Gráfica e Editora Monteiro Lobato, de São Paulo, importar um equipamento offset, o segundo do Brasil e o primeiro da indústria gráfica paulista.

O desenvolvimento do setor gráfico no Brasil neste período – primeira metade do século XX - foi muito lento, sem qualquer incentivo governamental pois julgava-se que o setor não era prioritário para economia do país, que também crescia a passos lentos e desorganizados.

Imprensa

Na década de 1950, foi a vez das gráficas editoriais entrarem mais intensamente no offset. Na imprensa, essa transição ocorreu na década seguinte. A Folha de S.Paulo foi pioneira na América do Sul a usar máquinas offset de grande porte. Nesse período, as impressoras offset em uso no País eram importadas da Alemanha e da Itália por empresas como a Gutenberg e a T. Janér. No entanto, a partir de 1977 algumas máquinas de médio porte começaram a ser fabricadas no Brasil pela Solna e pela Catu, as marcas mais conhecidas.

Somente em 1966 foi criado o GEIPAG – Grupo Executivo das Indústrias de Papel e Artes Gráficas, órgão governamental ligado ao Ministério da Indústria e Comércio, com o principal objetivo de organizar o setor, trazendo modernidade e tecnologia.

O GEIPAG, por meio de seus projetos, injetou capital na indústria gráfica brasileira, basicamente em equipamento de impressão offset. Equipamentos de fotocomposição também foram financiados pelos projetos do GEIPAG e assim a indústria gráfica conseguiu avançar tecnologicamente.

O uso da cor é outro indício da renovação que pairava sobre os veículos de comunicação da época. A própria Folha de S.Paulo, em 1967, introduziu cor ao offset. Em 1975, foi a vez do porto-alegrense Zero Hora. Enquanto isso, no outro extremo do País, o jornal O Liberal, de Belém do Pará, também publicava imagens coloridas em sua primeira página.

Ponto de partida

O offset se originou de outra técnica - a litografia - impressão por meio de chapas de pedra inventada pelo alemão Aloys Senefelder em 1796, parte da História da Indústria Gráfica aqui no Blog Sellerink. Naquela época, ele percebeu a possibilidade de desenhar e reproduzir figuras em uma pedra chamada Solnhofen, uma rocha calcária facilmente encontrada na região da Bavária, na Alemanha. Senefelder utilizou-se do princípio químico da incompatibilidade de fusão entre a água e o óleo. Para imprimir, fazia sobre a pedra um desenho com tinta ou lápis litográfico, de natureza gordurosa. Em seguida, o material era colocado num prelo, onde recebia uma porção de água que umedecia as partes em que não havia desenho. Depois, a rocha ganhava uma camada de tinta oleosa que aderia apenas aos traços gordurosos. Por fim, o papel era posto sobre esta superfície e, por meio de pressão, a ilustração era impressa.

Gráfica Pancrom em 1972 (acervo Pancron, rev. Tecnlogia Gráfica)

Gráfica Pancrom em 1972 (acervo Pancrom, rev. Tecnologia Gráfica)

Portanto, a repulsão entre água e óleo foi o primeiro passo para o surgimento do offset. Contudo, o fenômeno só se torna eficiente com o exato equilíbrio entre os dois componentes. A situação ideal é aquela em que, com a mínima quantidade de água, consegue-se a perfeita ausência de tinta nas zonas não-impressoras da chapa.

Impressão indireta

A revista 100 Anos de Impressão Offset, publicada pela Heidelberg, conta que, após uma falha da impressora, Ira Washington Rubel imprimiu uma folha frente e verso por engano. Assim, a imagem impressa na página errada foi reproduzida na blanqueta do cilindro de impressão, e de lá para o papel. O resultado foi uma transferência de tinta mais uniforme.

Dessa forma, mesmo que acidentalmente, foi inventada a impressão indireta, que passou a ser feita através de um cilindro emborrachado, a blanqueta.

Apesar da existência e da importância desse dispositivo, as impressoras offset são constituídas de, no mínimo, três cilindros: porta-forma ou chapa, caucho ou blanqueta e contrapressão.

Gostaram? A História da Indústria Gráfica é muito rica, não é mesmo? Temos grande orgulho em fazer parte deste universo. Acompanhem a série, temos sempre novidades e nos próximos dias voltaremos com a continuação da nossa história.

Fonte de Pesquisa:

Artes Gráficas no Brasil – Registros 1746/1941 – Ademar A. de Paula e Mario Carramillo Neto

A impressão offset no Brasil, Margareth Meza, Revista Tecnologia Gráfica

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Comentários (6) Trackbacks (0)
  1. Parabéns Marcos pelos materiais postados.
    Eu não perco nenhum desses post.
    Continue trazendo novidades para nós.
    Abraço.

  2. Marcos, se você tiver mais alguma coisa sobre UV manda pra nós.
    Obrigado.

  3. Marcos, se você tiver mais alguma coisa sobre UV PRIME manda pra nós.
    Obrigado.

  4. Marcos, parabéns pela riqueza da pesquisa sobre a História da Indústria Gráfica.
    Estou organizando uma exposição sobre o tema e gostaria de saber se você tem algum material sobre a Indústria Gráfica no Espírito Santo, ou se poderia me indicar uma fonte onde eu possa conseguir informações.
    Obrigada!


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