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17jan/11

A História da Indústria Gráfica (Post 21)

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No dia 05 de Janeiro p.p., publicamos nosso último post da séria História da Indústria Gráfica. Naquele post, começamos a falar sobre os acontecimentos nos anos 1970, começando com o chip Intel 4004 - o primeiro microprocessador em único chip, o advento da TV em Cores, a lendária Heidelberg GTO apresentada na DRUPA de 1972 e o primeiro computador genuinamente brasileiro, criado na USP, o "patinho feio".

Na verdade, o cenário da indústria gráfica a partir de 1.970 começa a mudar radicalmente. Os computadores e equipamentos eletrônicos começam a ter papel fundamental nas gráficas de todo mundo e a evolução da informática fez com que houvesse uma verdadeira revolução nas artes gráficas.

A pré-impressão, aos poucos, torna-se cada vez mais importante, tanto quanto a própria impressão e é fator preponderante para a evolução da indústria gráfica. Na verdade, torna-se fator preponderante para a sobrevivência de uma indústria gráfica.

Vários fatos históricos ainda serão postados na série, mas percebam como cada vez mais os assuntos da nossa história serão guiados pela evolução da informática e eletrônica na indústria gráfica.

Então, vamos aos fatos...

1974 / 1975

FOTOCOMPOSIÇÃO

Fonte: Tipografos.net - Tecnologia

O chumbo começa a desaparecer totalmente dos parques gráficos dos jornais brasileiros com a introdução da FOTOCOMPOSIÇÃO.

Fotocomposição é a composição tipográfica feita por projeção de caracteres sobre papel (ou película de filme) fotossensível.

Esta tecnologia foi introduzida em 1944, mas só se impos nos primeiros anos da década de 1950. As duas primeiras fotocompositoras foram o aparelho francês Photon e o Fotosetter da empresa Intertype.

Para estas máquinas, os tipos eram uma película transparente. Uma luz focada projeta uma imagem destes tipos sobre papel fotográfico. Um sistema óptico ajusta o tamanho, escalando a fonte ao corpo pretendido.

Para estas máquinas, os tipos já não eram peças de metal, eram filmes, películas transparentes. Com luz devidamente focada, era projectada uma imagem dos tipos dispostos nesses masters ("font disc") sobre um papel fotográfico.

Em poucos anos, a fotocomposição fez desaparecer as máquinas de composição (Linotype, Monotype, Intertype).

A fotocomposição foi designada de "composição a frio" (Cold Type), enquanto que a linotipia era chamada "composição a quente" (Hot Type).

Louis Marius Moyroud e Rene Alphonse Higonnet foram os primeiros a desenvolver uma máquina de fotocomposição funcional.

Antes da difusão e popularização de fontes através da sua digitalização, veio a etapa da fotocomposição. Para esta tecnologia, Adrian Frutiger foi um especialista de "transição", acelerando a passagem dos desenhos do caracter de metal para os suportes fotográficos.

A fonte Univers aponta para o momento da bifurcação das tecnologias, pois foi desenhada por Frutiger em paralelo para dois suportes: para a composição com tipos de metal (Hot Type) e para a fotocomposição (Cold Type).

O primeiro tipo digital da história foi a fonte Marconi de Hermann Zapf. Assim como a fonte Demos (1975) de Gerard Unger, que também foi um dos "digital typefaces" pioneiro, a Marconi era construída com, ou melhor: preenchida por pixels – já era um bitmap font.

bitmap type marconi

Marconi foi criado por Hermann Zapf em 1.973. O design de Zapf foi desenvolvido para ser usado nos textos de livros e revistas.

type bitmap demosdef

A fonte Demos (acima) foi criada em 1.975 por Gerard Unger.

A fotocompositora Digiset

Rudolf Hell - criador da DIGISET

Rudolf Hell - criador da DIGISET

A fotocompositora Digiset, construída na Alemanha pela empresa alemã Dr.-Ing. Rudolf Hell GmbH, foi introduzida sob esta designação — e nos EUA, pela RCA com a denominação de Videocomp 70/820. Permitiu um avanço significativo no controle da composição por meio de computador.

A Digiset podia ser comandada diretamente por computador e indiretamente através de fita perfurada, ou fita magnética.

Em colaboração com a Simens, a Hell preparou um computador especial denominado Hellcom, cujo software servia as exigências da fotocompositora, podendo ainda resolver tarefas de gestão.

O computador Hellcom e a fotocompositora Digiset formavam um conjunto de elevado grau de automatização e de grande capacidade produtiva.

A velocidade da fotocomposição atingia os 1.200.000 caracteres por hora quando a fotocompositora era comandada por fita perfurada e 2 , 3 e 4 milhões de caracteres/hora quando comandada directamente por um computador.

Fotocompositora Digiset

Fotocompositora Digiset

No Digiset, o aparelho fotocompositor da Dr.-Ing. Rudolf Hell GmbH, os tipos eram "impressos" em película foto-sensitiva (ou papel fotográfico) por raios catódicos, formando pixels com fraca resolução.

Depois de revelação do papel ou da película, seguiam-se as operações de montagem e de transporte para a chapa de impressão offset.

Este photosetting era em 1975 uma tecnologia ainda embrional e pouco precisa; assim, os tipos Demos foram concebidos para resistirem à deformação dos seus cantos durante o processo fotográfico.

Em 1976, a Dr.-Ing. Rudolf Hell GmbH passou a usar o software Ikarus, concebido em 1974 por Peter Karow, da URW.

A aplicação Ikarus já "sabia" desenhar o outline dos tipos. Este excelente software foi a base da digitalização e vectorização das primeiras fontes digitais sofisticadas. O programa Ikarus foi um instrumento decisivo para implementar a edição de fontes no computador.

Foi uma mudança tecnológica radical.

Em menos de 20 anos, a fotocomposição fez desaparecer quase todos os tipos de metal. Para salvarem o seu futuro, os compositores manuais e os operadores de Linotypes e Monotypes começaram a aprender a operar os aparelhos fotocompositores.

Compuwriter
Compuwriter

A empresa Compugraphic produziu várias fotocompositoras nos anos 1970 - aparelhos que baixaram os custos da "composição a luz". Um destes modelos, o Compugraphic Compuwriter, usava um plelícula de film enrolada sobre um tambor que rodava a várias centenas de rpm. O "filmstrip" continha duas fontes (Roman e Bold ou Roman e Italic).

Para obter vários tamanhos, este typesetter usva uma lente de aumento para duplicar o corpo da fonte. O modelo CompuWriter II já automatizava o comando da lente.

Outros produtores de photo compositing machines eram, nessa época, a Alphatype, a Varityper e a Mergenthaler.

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Acompanhem nos próximos posts em História da Indústria Gráfica toda evolução tecnológica do nosso setor. É muito interessante!

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Comentários (3) Trackbacks (1)
  1. Qual o futuro do impressor grafico? no que se aperfeiçoar. sem mais para o momento obrigado.

    • Emerval,

      Futuro promissor. Recomendamos o aperfeiçoamento em impressão com produtos amigos da natureza, como tintas vegetais. Acreditamos que haverá uma migração constante para os produtos gráficos sustentáveis, como embalagens de papelcartão, embalagens de folha de flandres etc.

      Conte conosco para o seu aperfeiçoamento. Verifique sempre a nossa agenda de cursos e palestras no Blog.

      Obrigado.


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