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16nov/11

Controle da Cor (Post 11)

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No nosso último post da série Controle da Cor, começamos a falar sobre composição das tintas offset e a primeira matéria-prima estudada foi o pigmento. Estão lembrados?

Vamos continuar...

PIGMENTO (segunda parte)

Composição das tintas gráficas offset

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História

Pigmentos naturais, tais como ocres e óxidos de ferro têm sido utilizados como corantes, desde os tempos pré-históricos. Arqueólogos descobriram evidências de que os primeiros humanos costumavam pintar para fins estéticos, decorando o próprio corpo. Rudimentares pigmentos de tintas e equipamento para  trituração, foram encontrados em cavernas as margens do Rio Twin, na Zâmbia e acredita-se que tenham entre 350.000 e 400.000 anos.

Antes da Revolução Industrial, a gama de cores disponíveis para a arte e uso decorativo era tecnicamente limitada. A maioria dos pigmentos utilizados era derivado da terra, de alguns minerais ou de origem biológica. Pigmentos a partir de fontes incomuns, tais como materiais botânicos, resíduos animais, insetos e moluscos foram colhidos e comercializadas em longas distâncias. Algumas cores foram onerosas ou impossíveis de se misturar com a gama de pigmentos que estavam disponíveis. Como exemplo, o azul e o  roxo passaram a ser associados a realeza por causa da dificuldade e custo em se conseguir estas cores.

Caramujo da espécie Murex brandaris
Caramujo da espécie Murex brandaris

Pigmentos biológicos eram muitas vezes difíceis de adquirir, e os detalhes de sua produção foram mantidos em segredo pelos fabricantes durante muitos anos. Tyrian Purple (conhecido também como Royal Purple) era um pigmento conseguido a partir do muco de uma uma espécies de caramujo, o Murex brandaris. A produção de Tyrian Purple para uso como tintura de tecido começou em 1200 a.C,  pelos Fenícios, e foi continuada pelos Gregos e Romanos até 1453 d.C, com a queda de Constantinopla. O pigmento era caro e complexo para produzir, e itens coloridos com ele tornaram-se associados com o poder e a riqueza.

Gema de Lapis-Lazuli
Gema de Lapis-Lazuli

Pigmentos minerais também foram negociados a longas distâncias. A única maneira de alcançar um rico azul profundo era usando uma pedra semi-preciosa, lapis-lazuli, para produzir um pigmento conhecido como ultramarino, e as melhores fontes de lapis lazuli eram remotas e distantes.

O pintor flamenco Jan Van Eyck, trabalhando no século 15, não incluia normalmente o azul em suas pinturas. Pintar um retrato com o azul ultramarino era considerado um grande luxo. Se o cliente que encomendava a obra queria azul, era obrigado a pagar extra. Quando Van Eyck usada lapis-lazuli, nunca misturava com outras cores. Ao contrário, ele aplicava a sua forma pura, quase como um esmalte decorativo. O preço proibitivo de lápis-lazuli forçava os artistas a procurarem pigmentos que pudesse substituir e fossem menos caros, tanto mineral ( azurita , smalt ) ou biológicos (índigo ).

Os Espanhóis, com a conquista de terras no Novo Mundo no século 16,  introduziram novos pigmentos e cores para os povos de ambos os lados do Atlântico. Carmin, um corante e pigmento derivado de um inseto parasita encontrado na América Central e América do Sul , alcançou status de grande valor na Europa. Produzido a partir de insetos Cochonilha, secos e triturados, o carmim poderia ser utilizado na tintura de tecidos, pintura corporal, ou em forma sólida, para quase todos os tipos de tintas e cosméticos .

Milagre do Escravo, de Tintoretto (1518-1594). Uso do Carmin para representar cores dramáticas.

Milagre do Escravo, de Tintoretto (1518-1594). Uso do Carmin para representar cores dramáticas.

Os nativos do Peru já conheciam como produzir o carmim a partir da Cochonilha, como corante para tecidos, pelo menos desde 700 d.C, mas os europeus nunca tinham visto a cor antes. Quando os espanhóis invadiram o Império Asteca no que é hoje o México, eles foram rápidos em explorar a cor para novas oportunidades comerciais. Carmin se tornou a segunda mais valiosa mercadoria da região, próxima à exportação de prata. Pigmentos produzidos a partir do inseto Cochonilha, como exemplo, serviram para colorir os tecidos das vestes de cardeais católicos e os uniformes dos soldados ingleses, as "Casacas Vermelhas". A verdadeira fonte do pigmento, um inseto, foi mantida em segredo até o século 18, quando os biólogos a descobriram.

Enquanto o Carmin foi muito popular na Europa, manteve-se a cor azul exclusivamente associada à riqueza e status. No século 17, o mestre holandês Johannes Vermeer, muitas vezes fez uso abundante de lápis-lazúli , juntamente com Carmin e Amarelo indiano , em suas pinturas vibrantes, destinadas a decorar os mais luxuosos palácios.

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Estão gostando do assunto? Claro que estamos um pouco distantes do Controle da Cor da maneira como conhecemos, com leitura LAB e aplicação de padrão da indústria gráfica. Mas ao mesmo tempo, é importante conhecermos a origem das primeiras matérias-primas que nos deram a COR.

Continuem acompanhando, tem muito mais assunto interessante ainda.

Obrigado.

Se você gostou, veja também...

A História da Indústria Gráfica (Post X) on July 18th, 2010

Eco Friendly Printing (Post 2) on July 11th, 2010

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Comentários (1) Trackbacks (1)
  1. Temos uma arquivo com imagens de mais obras de artes do período e do artista Veneziano Tintoretto. Vale a pena apreciar as cores destas obras.


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